segunda-feira, 19 de abril de 2010

Paper clips and crayons in my bed





I take my ride in melodies
and bees and birds will hear my words?

na ilustração: aquarela e nanquim.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Por obséquio, quando começa a primavera?





"AUTOR. - Ângela tem toda a iluminação feérica - e ao mesmo tempo que se habitua lenta e muda e majestosa e delicadíssima e fatal - em ser mulher - é modesta demais para sê-lo, é fugaz demais para ser definida. Ela me contou que na rua dirigiu-se a um guarda - e explicou que assim fez porque ele devia saber das coisas e ainda por cima estava armado, o que infunde respeito a ela. Falou assim para o guarda: o senhor pode me informar, por obséquio, quando começa a primavera?
Ângela é doida. Mas tem uma lógica matemática na sua aparente doidice. E se diverte muito, a escandalosa. Aguça-se demais e depois não sabe o que fazer de si. Que se dane. Entre o "sim" e o "não" só há um caminho: escolher. Ângela escolheu "sim". Ela é tão livre que um dia será presa. "Presa por quê?" "Por excesso de liberdade". "Mas essa liberdade é inocente?" "É". "Até mesmo ingênua". "Então por que a prisão?" "Porque a liberdade ofende".


[...]


ÂNGELA. - De súbito a estranheza. Estranho-me como se uma câmera de cinema estivesse filmando meus passos e parasse de súbito, deixando-me imóvel no meio de um gesto: presa em flagrante. Eu? Eu sou aquela que sou eu? Mas isto é um doido faltar de sentido! Parte de mim é mecânica e automática - é neurovegetativa, é o equilíbrio entre não querer e o querer, do não poder e de poder, tudo isso deslizando em plena rotina do mecanicismo. A câmera fotográfica singularizou o instante. E eis que automaticamente saí de mim para me captar tonta de meu enigma, diante de mim, que é insólito e estarrecedor por ser extremamente verdadeiro, profundamente vida nua amalgamada na minha identidade. E esse encontro da vida com a minha identidade forma um minúsculo diamante inquebrável e radioso indivisível, um único átomo e eu toda sinto o corpo dormente como quando se fica muito tempo na mesma posição e a perna de repente fica "esquecida".

Eu sou nostálgica demais, pareço ter perdido uma coisa não se sabe onde e quando."


Trechos de "Um sopro de vida" de Clarice Lispector.
Uma ilustração minha.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Exposições em SP!

Olá!

Dessa vez não vou postar trabalhos meus nem nada... Estou indo pra SP para arejar as idéias e colocar as exposições em dia, então não posso deixar divulgar o que eu sei que tá rolando por lá, e aí assim, os amigos que puderem dar uma passada pela babilônia não perdem a chance de ver coisas ótimas!

Em primeiro lugar: a exposição do Andy Warhol!
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2010/03/17/pinacoteca+traz+voyeurismo+do+pintor+andy+warhol+a+sp+9430862.html

A exposição acontece na Pinacoteca e fica em Sp até 23 de maio.

Tem também Hélio Oiticica...

http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Artes_e_Teatro/Evento/Helio_Oiticica_Museu_E_O_Mundo.aspx?id=62352

Exposição no Itaú Cultural até 16 de maio.

E hoje, um professor da faculdade me contou de uma exposição que eu não sabia:
Folheando: Quatro décadas de livros e revistas de artistas na Espanha

http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_exposicoes.asp

uma exposição de livros de artista que rola até dia 2 de maio...


Bom, é isso!
Quem tiver a chance de ver, tenho certeza que são exposições lindas!

domingo, 4 de abril de 2010

Terracota

Depois de muito tempo de abandono, a primeira postagem do ano vem pra inaugurar 2010 da melhor forma possível! Hoje quero compartilhar com os meus amigos um trabalho do qual eu me orgulho muito: as ilustrações que fiz de Ouro Preto para a mais nova loja da cidade: Terracota!

Ouro Preto sempre foi uma cidade muito importante pra mim, pelos mais variados motivos; a cidade além de abrigar muito da história do Brasil, guarda também muito da minha história. Então foi com muita alegria que, por volta de outubro do ano passado, recebi o convite para desenvolver ilustrações da cidade. Entre os cenários retratados estão o frontal da Igreja do Pilar, uma vista panorâmica da Igreja do Carmo e o Museu da Independência, os vários chafarizes da cidade...
Na loja também estão a venda objetos de cerâmica criados por Jacinta Franco, que também tem como referência a cidade histórica; além de uma linha de roupas criadas a partir de uma estética contemporânea pela Miho, um escritório de design de Belo Horizonte. (http://www.miho.com.br).

Bom, para saber mais, só passando pela loja, que fica na rua Getúlio Vargas, nº19 - Ouro Preto, MG. Pertinho da rua dos bancos...










sábado, 19 de dezembro de 2009

Bermuda Larga

Enfim, férias. Nas férias só vou usar bermuda larga, nada de pedras no meu sapato.














Poema: Bermuda Larga - Chacal

sábado, 12 de dezembro de 2009

Stencil

Olá olá!

Mesmo com toda a correria com os trabalhos finais, não posso deixar de compartilhar essa experiência: nas aulas de tipografia cada aluno teve que produzir um stencil à partir de umas composições com letra-set, depois de produzí-lo deveríamos registrar o processo de inserção dele em qualquer lugar da cidade...
Ainda que este stencil não tenha nenhuma proposta específica de intervenção no meio urbano, já super valeu como experimentação!
Seguem as fotos...






quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pela janela do quarto







"[...]Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa...

Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?[...]"


O vento e a chuva lá fora, fazem os reflexos da luz da rua dançar nas paredes do meu quarto todas as noites. Com o tempo, o som da chuva vira música. Meus pensamentos viram sonhos.

"[...]O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez...
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu[...]"


trechos de Tabacaria - Álvaro de Campos.
trecho meu.